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A montanha
Após subir uma grande montanha, coberta por
milhares de árvores de todas as cores do outono, um menininho chegou ao céu e
bateu na imensa porta.
Após algum tempo, surgiu São Pedro, que
perguntou-lhe:
- O que deseja, meu menino?
- Quero entrar no Céu, Sao Pedro.
- Um momento, respondeu Sao Pedro, vou falar
com Deus.
Dito isso, fechou novamente as portas e
afastou-se. Passado certo tempo, voltou e disse ao menino:
- Expliquei o seu caso a Deus e Ele disse
que somente quando caírem todas as folhas de todas as árvores que você vê ao
seu redor, por tantas vezes quantas forem o total das folhas neste momento,
somente então é que você poderá entrar no Céu!
O menino sentou numa pedra, sob uma linda
árvore de folhas alaranjadas e olhou em torno, desconsolado, pois obviamente
tratava-se de uma tarefa impossível. Quando São
Pedro já ia fechando de novo as portas do Céu e sumindo lá dentro, o menino
chamou-o com urgência.
O velho virou-se e perguntou:
- Que foi agora, meu rapaz?, perguntou ao
menino, ainda sentado na pedra.
- Olha, São Pedro, disse o menino apontando
para o chão - diga a Deus que a primeira folha já caiu.
O Burrinho preguiçoso
Um fazendeiro tinha um burro que não queria
trabalhar. Ele estava bem, comia bem, era forte, mas simplesmente recusava-se a
trabalhar! Então o
fazendeiro foi a seu vizinho, um outro fazendeiro seu amigo, e contou-lhe o
caso. Este lhe disse:
"Você deve tratá-lo com amor e compaixão"
"Amor e compaixão!", disse o outro.
"Sim, isso faz maravilhas".
O fazendeiro voltou para casa e seguiu o
conselho do amigo. Duas semanas depois, acabou encontrando o vizinho, que lhe
perguntou:
"Como está o burro"?
"Continua o mesmo, não quer trabalhar - o
que você sugeriu não adiantou nada".
"Deixe-me vê-lo", disse o vizinho.
Foram encontrar o burro mais adiante, no
estabulo. O vizinho pegou uma varinha, aproximou-se do burro e quebrou-a de
repente na cabeca dele com uma forte pancada.
"Mas você disse que precisamos trata-lo com
amor e compaixão!", disse o fazendeiro.
"Sim", respondeu o vizinho, "mas primeiro
você precisa chamar a atenção dele".
Duas respostas para a
mesma pergunta
Havia um velho parado, sentado em baixo
de uma arvore, num dia de sol quente. Essa arvore ficava num caminho que ligava
duas cidades.
A certa altura, chegou um moço, vindo
de uma dessas cidades, e disse ao velho:
"Aquela cidade de onde eu venho é
horrivel, as pessoas sao mal-humoradas, e não se consegue encontrar trabalho.
Vou indo para essa outra, o senhor a conhece?"
"Conheco", disse o velho,
"Como
é ela?", indagou o moço.
"Ela é horrivel", respondeu o velho, "as pessoas nao gostam de estranhos, e além
disso não se consegue encontrar trabalho por ali".
E o rapaz seguiu seu caminho, desconsolado.
Dali a pouco, surgiu outro moço, vindo da mesma cidade do primeiro, e disse:
"A cidade de onde eu venho é maravilhosa, todos me tratavam bem, arrumei
emprego ali com facilidade e sentia-me muito feliz. Mas agora quero conhecer
mais o mundo, e vou para aquela outra cidade. O senhor a conhece?"
"Conheço", disse o velho, "É um belo lugar, as pessoas de lá são muito
simpáticas, e encontra-se trabalho com facilidade por lá".
E o moço seguiu seu caminho, cantando.
Os contos acima estão no livro
“A prática Zen e o autoconhecimento” de Daniel Law
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